
O “picapau” amarelo entrou na sala de aula, dirigiu-se à Biblioteca e foi em direção ao pátio, para se instalar no palco.
Poucos sabiam que o picapau amarelo era um artista e gostava de fazer as pessoas rirem, encantarem-se e usufruírem uma cultura de imaginação, de ficção, do possível, do impossível, do pirlimpimpim.
Poucos imaginavam que boneca podia falar, que sabugo era sábio, que o pererê era amigo, que a vovó contava histórias e a tia fazia bolinhos deliciosos.
Quase ninguém entendia como um negro já de idade avançada, que jamais havia frequentado escola, conhecia os segredos da mata e da vida mais do que ninguém, até compreenderem a palavra experiência.
O “picapau” amarelo mostrou a todos que quando uma garota de nariz arrebitado e um rapazinho caçador de aventuras aparecem com algumas ideias, sejam elas normais, sejam elas de outro mundo, acontecem, porque sua sabedoria está em usar a imaginação.
E o “picapau” amarelo não ficou só no livro; não ficou só no palco. Ele entrou também na tevê e por ela, nas nossas casas.
O “picapau” amarelo entrou nas nossas vidas e quem não se rende a uma lembrança da infância embalada por ele, sinto muito dizer, mas não é tão feliz quanto eu.
A culpa do alvoroço que fez o “picapau amarelo”, ao saltar das páginas do livro para viver entre nós, foi de alguém que ousou falar aos adultos, falando pelas crianças. Foi de alguém que pela língua sem papas de uma boneca de pano, falou tudo quanto estava entalado na garganta. Alguém que não poderia ter outro nome, senão Monteiro Lobato.
Minha intensa admiração não me negaria a criação deste tributo emocionado ao “Pai da Literatura Infantil”.
© Carlos José dos Santos – Todos os Direitos Reservados
Acesse sempre: www.novelaparaler.blogspot.com
Parabens! Regiane
ResponderExcluir