
Em
casa, pelo menos dez anos antes dessa ideia aparecer, eu já comprava em
Atacados e utilizava as boas caixas de papelão, que muitas vezes ficavam
guardadas e acabavam cumprindo a função de embalagens retornáveis.
Depois
que o plano da Apas foi colocado em prática, percebi a ideia sórdida que foi
aquela. Com o pretexto de preservação do meio ambiente, o empresariado colocou
nas costas do consumidor toda a responsabilidade desta missão. E o que fizeram os
donos dos grandes supermercados, para participarem desse ato de cidadania?
Simplesmente, anunciaram a venda, isso mesmo, a venda de sacolas alternativas,
ditas “sustentáveis” e, como se fosse pouco, ainda mantiveram ou aumentaram
preços.
O
que se esperava de uma ideia brilhante é que, no mínimo, preços fossem
abaixados, pois todo mundo sabe que neles já estavam embutidos os valores
referentes a despesas com a distribuição das sacolas.
Se
ao menos, ao chegar nos supermercados tivéssemos o incentivo de preços
melhores, você e eu poderíamos encarar a medida com a maior tranquilidade.
O
que causa minha indignação agora é a postura do empresariado ao jogar nas
costas do povo, uma responsabilidade que é de todos.
É
bom lembrar que, quando se fala em responsabilidade, esta é, em grau,
proporcional à prática e ao uso dos bens de consumo e da produção de resíduos.
Explico: a responsabilidade pela preservação do meio ambiente é muito maior
para um empresário da indústria, do que para um cidadão comum assalariado, cujo
rendimento é um salário mínimo por mês. Você entende o que eu quero dizer com o
grau da responsabilidade de cada um? Quem suja mais, tem mais a limpar.
Se o
grande vilão da história é o plástico, não seria lógico que todas as embalagens
plásticas da imensa gama de produtos industrializados, fossem substituídos
também?
Quero
parabenizar, redes como Novo Atacado, Máximo, Dia , e outros pequenos empreendimentos pelo
respeito aos seus clientes, pelo fato de continuarem distribuindo gratuitamente
as sacolas (e biodegradáveis), mesmo enquanto a Apas trava forte queda de braço
contra a justiça que se posicionou ao lado do consumidor.
A
justiça, nesta última semana, ordenou a volta das sacolinhas gratuitas, pois a
venda de qualquer outro material alternativo fere o código do consumidor,
quando impõe aos clientes o ônus da proteção do meio ambiente. Tão clara é a intenção da Apas e do Governo do
Estado, de favorecer a grande rede de supermercados, é o que li ainda há pouco.
Logo depois da decisão da justiça, a Associação, tão generosa com o meio
ambiente, numa tentativa de barrar a volta das sacolas gratuitas, apareceu com
a proposta da venda das ditas cujas por preços módicos, de sete a vinte e cinco
centavos.
Vou
continuar lamentando o fato de as pessoas não terem consciência e continuarem a
dispor seu lixo orgânico, o que vai para debaixo da terra, nas sacolinhas, em
vez do uso dos sacos biodegradáveis próprios. Porém, do jeito que estava, com o
empresariado dos grandes estabelecimentos, cantando vitória, e faturando alto
às nossas custas, não dava para continuar.
Quero seguir sendo chamado de povo, e não de polvo, como pensa o grupo que tirou as sacolas. Quero dizer que não sou uma aberração, pois não tenho oito braços para carregar minhas compras.
Quero seguir sendo chamado de povo, e não de polvo, como pensa o grupo que tirou as sacolas. Quero dizer que não sou uma aberração, pois não tenho oito braços para carregar minhas compras.
©
Carlos José dos Santos – Todos os Direitos Reservados
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